E agora, como acostumar sem teatro todo dia?

No domingo a noite assisti ao último espetáculo da 24ª edição do Festivale. E, que espetáculo! “Primus”, da Boa Companhia, de Campinas, deu um show de expressão corporal, criatividade e talento. Mais um momento que ficou na minha memória, assim como a abertura, com o Grupo Galpão, de Belo Horizonte, apresentando, em primeira mão, seu novo espetáculo: “Till, a saga de um herói torto”. Uma prova de que o tempo só melhora o que já é bom. Com 27 anos de estrada, o grupo nos presenteou com mais um espetáculo de arte e emoção.

Aliás, tive a sorte e o prazer de fazer uma oficina de voz e expressão corporal com um dos atores da companhia de Campinas, Moacir Ferraz. Uma pessoa de um conhecimento ímpar na área a que se propõe estudar (a voz no teatro) e igualmente simpático. Na apresentação da oficina, ele escreveu: “o objetivo da oficina é relembrar que a voz é corpo, que a voz não é produto apenas de cabeça e garganta. Muito além de informar o que o raciocínio pensa, a voz do ator deve dar notícia do que o corpo sente. Que a palavra, além do significado, pode despertar sensações, por meio da ligação profunda entre sua forma sonora e seu conteúdo imagético”. Não preciso dizer mais nada!

Outra experiência gratificante foi assistir à palestra do ator e diretor Cacá Carvalho. Para quem não conhece, basta se lembrar do inesquecível “Jamanta”, personagem de uma dessas novelas globais que não me lembro o nome. Para você ver, o personagem marcou mais que a própria novela.  Mas Cacá Carvalho falou sobre a construção da peça “Os Figurantes”, que apresentou no Festivale. Um espetáculo que dividiu opniões, até mesmo pela sua complexidade. Aliás, complexidade foi algo visto algumas vezes nos palcos de São José dos Campos. Seja em “Os Figurantes”, seja no inigmático “Por que a menina cozinha na polenta”, apresentado pela Cia. Mungunzá de Teatro, de São Paulo. Mas, ambos, dentro de suas propostas, inesquecíveis e provocadores.

Como faço a oficina de teatro da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, a realizadora do festival, pude participar voluntariamente dos bastidores e acompanhar de perto muita coisa. Fui “anjo” dos grupos que apresentaram as peças infantis. Minha função era dar apoio aos grupos, no que precisassem para a preparação dos espetáculos. Conheci muita gente legal, pessoas que vivem do teatro, adoram o que fazem e fazem com competência. Vi o quanto é importante a iluminação e, que trabalho que dá isso!!! Como disse o Fernando, meu professor da oficina, a iluminação é responsável por 70% do sucesso do espetáculo. E pude ver isso na prática. Fiquei ainda mais interessada na produção.

Uma outra vantagem de estar ali, assistindo tudo de perto, foi conhecer pessoas como os debatedores e críticos do festival. Cada um com suas qualidades, conhecimentos, experiências e comunicação (ou falta dela). Alexandre Mate, um dos críticos, me impressionou com suas colocações sempre enfáticas. Muitas vezes, em uma só frase, ele dava o recado e muito bem dado. Heitor Saraiva, sempre “viajando” na emoção e deixando a técnica mais para Thais e José Facury (esses três eram os debatedores). Ao fim de cada apresentação (menos das peças convidadas), era realizado um debate onde os atores e diretores podiam comentar suas propostas, metodologias, enfim, o trabalho que deu para se chegar ao espetáculo que assistimos. Em seguida, Heitor, Thais e Facury faziam suas considerações. Muitas vezes não concordava com o que era dito… mas, isso era se tornava segundário perto do que se aprendia ali.

Foram 11 dias de muito trabalho para a equipe organizadora, debatedores, críticos, atores, atrizes, técnicos, anjos… rs. Mas, foram 11 dias de muita cultura, beleza, arte, emoção, espetáculos. Fora as peças apresentadas em palcos como do Teatro Municipal, Cine Santana e CET, tivemos também os teatros de rua, as oficinas, as lições que levaremos. Pena que acabou. E agora? Eu já tinha me acostumado a ir ao teatro a noite, não importando a peça, pois sabia que iria me surpreender. E agora? São 20h30, horário que geralmente começavam as peças da noite e estou em casa, assistindo Jonal Nacional. É, vai ser muito chato voltar à realidade.

[ ]s

Mônica

Deixe uma resposta